sábado, 12 de julho de 2014

De longe, tão próximo

Começo o texto com um riso de canto no rosto. E o que perambula os pensamentos é que ..
Sabe, você passa a semana eufórico na espera da sexta. Eu observo.
De segunda a quinta, repensa a roupa que usar. Eu observo. Enche a boca pra falar que vai ser ‘o role’, ouço e digo “que Jah te guie”. Você bate a porta, e então eu fico serena até que a manhã de sábado invada os cantos da casa. Não te contei, mas em todas as suas sextas eu aguardo os sábados.
Espero sua pane, sua ressaca, sua dor de cabeça forte, junto a vontade em vomitar. Aguardo sua tontura, seus xingamentos, sua roupa amassada, seu cabelo desalinhado, seu tênis jogado. Espero voltar a consciência pra lhe ouvir contar a noite anterior.
 É nessa hora que eu vejo a diferença entre sua mentira e sua verdade. A distancia entre a máscara e seu rosto. Entre o seu abraço da sexta pra sair, e o de sábado com gosto e peso de arrependimento. O seu beijo eufórico, e o beijo de sensação de agradecimento. A cabeça erguida, e a cabeça baixa. O menino e o homem.
E olha, o gosto que sinto não é doce ou amargo. A minha espera em te ver assim não vem com troféu por te ver um caco. Eu nasci ouvinte, um pedaço de mãe. Eu não tenho gritos ou conselhos, mas eu tenho um colo e tenho um querer bem. Eu tenho um amor que independente do que você faça, ele não permite que eu dite o que faça. O meu desejo é vê-lo crescer por si só. É vê-lo uma confusão, ter as respostas e não opinar. Porque eu quero ter a chance de mais abraços, mais sorrisos, mais progressos conseguidos por si só.
Quero vê-lo viver sem manual de instruções, sem regras.
Rapaz, ache sua meta.


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