Eu pensava que era só pedir em namoro, usar aliança, dar altas risadas, pegar na mão, dizer eu te amo (..), mas não. É preciso que entenda a si próprio antes de aceitar alguém. É necessário coragem, preparo, e força, para enfrentar o que virá, em seguida de um ciúme, de uma surpresa, uma tristeza.
Eu nunca entendi esse lance de se apaixonar, largar o futebol para ficar com ela, comprar ursos, frequentar cinema para assistir romance, usar aliança. Confesso que as sensações são tão diferentes, talvez tivesse passado tempo demais longe, devo dizer que sentia falta de ter o que tenho hoje, sem ao menos saber se era tão bom, como é hoje que eu sei. Ao acordar eu sorria e pensava na noite anterior. Levantei, e pensei se nos dois anos seguintes seriam exatamente como tem sido estes últimos dois dias.
Você: minha criança do sorriso sincero, mulher do coração frágil. Menina do tipo que cai da bicicleta dez vezes, mas não pede para o pai colocar a rodinha novamente, menina que parece que vi crescer pois distinguiria facilmente suas características quando pequena na base do que é hoje. Mulher de sonhos, planos, forte, com seus cuidados de mãe.
Quando ela deitou em meu peito depois de cansados, eu sabia que era ela. Me dizia que era uma proteção, segurança. Para mim privilégio, eu sabia que a tinha por perto, era o momento em que a paz invadiu, o conforto se acomodou, as lembranças fluíram sem pedir permissão.
Eu te arrumei, e com as caricias acabou dormindo, lhe cobria. Desengonçado mas cobria, porque quando acordou reclamou que o pé estava gelado, porque eu não cobria direito. E se não fosse esse detalhe, parte dessa lembrança não seria tão intensa. Ou quando mal terminou de fazer comida, sorriu. Deixando o monte de louça para lavar, me bateu com o pano de prato, e se ofereceu para secar depois.
Em seguida fomos deitar, você pediu chocolate quente. Era gosto de ambos, então desci as escadas para fazer, tinha preguiça, então revezávamos. Quando eu voltei estava entretida em algum filme de ação, e eu bravo por não ter me esperado. Me deu alguns beijos, e eu esqueci. Depois dormiu, não digo como um anjo, pois anjo não se mexe tanto, nem puxa coberta. E nada me custou pegar outra coberta. E na manhã seguinte tinha que ouvir: “sentiu tanto frio assim?”.
Eu sorri, e começava tudo de novo (..) mais um dia, e a boa rotina de estar com ela.

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